O Medo e o Ódio

De um lado temos nosso querido médico, que presta seus serviços em levar humanidade em um lugar que a maioria não quer chegar perto: a prisão.

Por outro lado temos um presidente não tão querido assim que age de forma exótica, mas com outra entonação e palavras.

O que eles falam em comum é um fato : a iminência da morte.

É chocante essas palavras. Estamos falando de seres humanos que vão perder a vida para um vírus. Mas pela personalidade e pelo contexto de caráter de cada um deles, apesar de serem palavras semelhantes com um mesmo sentido, cada pessoa recebe esse choque de maneira diferente.

Apesar de suas diferenças como seres humanos, e como eles são visto pela sociedade, os dois parecem ser pessoas que sabem lidar bem com a ideia da morte e o morrer.

De um lado temos um médico ateu que já viu várias pessoas sucumbirem, do outro lado um militar cristão, que tem no seu dia a dia o conceito de guerra, e que em toda guerra existe mortos.

E porque direcionamos o ódio sobre esse discurso que eles fizeram mais para um do que para o outro?

Talvez porque temos a ideia de que o militar cristão tenha o poder da decisão que pode impactar toda a nação, e o médico não.

Mas esse mesmo médico já tomou decisões isoladas que podem não ter impactado a vida de milhões, mas com certeza impactou a vida de famílias. Vários médicos agora estão tomando essa decisão: de quem vive ou morre. Eles estão decidindo se devem dar um respirador para uma senhora de 80 anos com uma baixa expectativa de vida ou para um senhor de 60 com uma sobrevida maior.

Talvez o ódio se sobressaia então porque eles estão lidando com a vida de outros e não com as deles. Quando um guerreiro líder faz um discurso de morte, em que ele coloca também a vida dele em jogo além de outros, ele é tido como herói.

Tanto o médico quanto o presidente estão expostos ao mesmo risco, não de forma declarada, mas implícita.

O médico pela natureza do seu trabalho. Ao tratar de doentes ele também corre o risco de adoecer, tanto física como psicologicamente. Não é todo profissional da saúde que possui o psicólogo de dividir o conceito entre paciente e amigo, em aceitar que aquela pessoa a quem ele trata pode morrer.

O presidente justifica suas aparições públicas como exemplo. Ele como líder precisa dar exemplo de que a situação vai bem, e como ele mesmo alega, não precisa de tanto alarde. Não passa de uma gripezinha, como ele diz. 

E como ele trata isso? Se expondo ao vírus também, para tentar provar que se o líder não teme, a população também não deveria temer.

Então os dois estão dando o exemplo do líder guerreiro que se expõe em batalha.

Mas porque então eles não estão sendo interpretados como heróis em seus discursos e ainda existe tanto ódio de quem escuta essas palavras.

Eu tenho uma ideia, e é uma opinião pessoal. A questão é: o ser humano como um todo, não possui a capacidade de pensar na morte. Apesar de sabermos que todos um dia iremos morrer, não temos a coragem de encarar esse fato. Muitas evitam falar nisso, não conseguem, como se não comentar sobre a morte dê a sensação que ela vai esquecer da gente, não vai nos atingir. 

Tantas outras pessoas possuem medo. Medo do morrer e ter algum ente querido falecendo. E onde existe medo, existe ódio, existe raiva. É como um animal machucado quem tenta atacar qualquer um que se aproxime, até mesmo os que querem ajudar.

As pessoas sentem ódio de pessoas que discursam nesse período sobre aceitar que alguns irão morrer, principalmente os idosos. Falam que essas pessoas não são humanos ou não estão exercendo a humanidade ou empatia, direcionando assim o ódio contra eles. Mas o que na verdade ocorre é que estamos todos com medo, um medo de aceitar o que todos já sabemos.

Alguns irão, infelizmente, morrer.

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SOBRE O AUTOR

Todo amor nasce de uma necessidade, e foi por uma necessidade que surgiu o perfil no Instagram @meninajoguese.

O Poeta Selvagem Érico Renato Almeida é Auditor Fiscal da Receita do Estado do Paraná e escreve crônicas poéticas que desconstrói a forma de pensar sobre relacionamentos, além de vídeos para o Youtube e Lives semanais.

O perfil cresce a cada dia com mulheres que encontram seu valor e acrescentam cada vez mais loucura e autoestima em suas vidas.
Portanto, hoje eu tô selvagem e a selvageria já vai começar.

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