O meu Deus

Sempre fui muito religioso apesar de não ter nenhuma religião. A formação de minha crença passou por várias fases assim como um adolescente sem causa. Fui rebelde, dedicado, e por muitas vezes joguei tudo para o ar. Não porque eu não queria crer em algo, mas porque tudo sempre me pareceu confuso e sem sentido. Até descobrir que realmente tudo é muito confuso e sem sentido. Se alguém tivesse me dito isso na minha época de adolescente eu não teria tido tantas frustrações por não sentir o mesmo fervor religioso que assistia os outros sentirem nos cultos e missas pentecostais (que celebram o Espírito Santo) mesmo me esforçando para ter fé. Hoje consigo enxergar que a maioria sentia sem mesmo entender, e talvez esse seja o verdadeiro conceito de fé, o de acreditar sem enxergar, mas que pessoalmente não funciona para mim, e eu posso somente aceitar isso.

Sou um daqueles que podem se enquadrar como um Agnóstico Teísta. Um conceito que explica que eu possuo a crença de que existe algo divino e superior a nós humanos, mas que não consigo me responsabilizar em explicar com plena certeza o que seria essa divindade.


Eu sou como uma história que li certo dia em que existia em uma certa cidade um homem que sempre argumentava com o Padre de uma pequena igreja que não existia Deus. O Padre tentava de todas as formas, e de sua forma fraterna, explicar para o homem que Deus existia e estava em todas as coisas, e o homem por sua vez tentava refutar todas as ideias. Certo dia esse homem ficou doente e de cama. Por ser uma cidade pequena, todos se conheciam, e a notícia logo chegou ao conhecimento do Padre que lhe resolveu fazer uma visita. Chegando na casa do homem, o Padre encontrou pendurado acima de sua cama um crucifixo com a representação de Jesus Cristo. Depois de uma conversa e já se despedindo o Padre resolveu pergunta o porquê ele havia pendurado aquela cruz, sendo o homem ateu e cheio de argumentos contra a existência de Deus. O homem olhou em seus olhos e respondeu:

– Ora Padre, e se eu estiver errado e o senhor certo?

Eu sou muito fã da vida e obra do Albert Einstein, e por ele ser cientista e pesquisar os mistérios do Universo, sempre existe a curiosidade em saber qual seria sua opinião sobre a existência de Deus. Felizmente algum dos seu alunos lhe fez essa pergunta e ele prontamente respondeu:

“Acredito no Deus de Spinoza, que se revela por si mesmo na harmonia de tudo o que existe, não no Deus que se interessa pela sorte e pelas ações dos homens”.

Baruch Spinoza foi um filósofo judeu que recebeu a maior pena de seu povo e religião por refletir sobre suas ideias de como a religião estava equivocada. Ele foi banido e sentenciado a se distanciar dos judeus, inclusive de sua própria família, e levou uma vida simples, recusando todos os pedidos para ele espalhar seu conhecimento em Universidades.

Seu trabalho conta com sua declaração de qual seria o seu conceito de Deus, o que o levou ao banimento e que foi absorvido por Einstein e também por mim.


Acabo minha esta postagem com o seu discurso sobre Deus e acredito não ser digno de nenhuma palavra após esse conceito:

“Pare de ficar rezando e batendo no peito! O que quero que faça é que saia pelo mundo e desfrute a vida. Quero que goze, cante, divirta-se e aproveite tudo o que fiz pra você.

Pare de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios que você mesmo construiu e acredita ser a minha casa! Minha casa são as montanhas, os bosques, os rios, os lagos, as praias, onde vivo e expresso Amor por você.

Pare de me culpar pela sua vida miserável! Eu nunca disse que há algo mau em você, que é um pecador ou que sua sexualidade seja algo ruim. O sexo é um presente que lhe dei e com o qual você pode expressar amor, êxtase, alegria. Assim, não me culpe por tudo o que o fizeram crer.

Pare de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver comigo! Se não pode me ler num amanhecer, numa paisagem, no olhar de seus amigos, nos olhos de seu filhinho, não me encontrará em nenhum livro.

Confie em mim e deixe de me dirigir pedidos! Você vai me dizer como fazer meu trabalho?

Pare de ter medo de mim! Eu não o julgo, nem o critico, nem me irrito, nem o incomodo, nem o castigo. Eu sou puro Amor.

Pare de me pedir perdão! Não há nada a perdoar. Se eu o fiz, eu é que o enchi de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos, de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio. Como posso culpá-lo se responde a algo que eu pus em você? Como posso castigá-lo por ser como é, se eu o fiz?

Crê que eu poderia criar um lugar para queimar todos os meus filhos que não se comportem bem, pelo resto da eternidade? Que Deus faria isso? Esqueça qualquer tipo de mandamento, qualquer tipo de lei, que são artimanhas para manipulá-lo, para controlá-lo, que só geram culpa em você!

Respeite seu próximo e não faça ao outro o que não queira para você! Preste atenção na sua vida, que seu estado de alerta seja seu guia!

Esta vida não é uma prova, nem um degrau, nem um passo no caminho, nem um ensaio, nem um prelúdio para o paraíso. Esta vida é só o que há aqui e agora, e só de que você precisa.

Eu o fiz absolutamente livre. Não há prêmios, nem castigos. Não há pecados, nem virtudes. Ninguém leva um placar. Ninguém leva um registro. Você é absolutamente livre para fazer da sua vida um céu ou um inferno.

Não lhe poderia dizer se há algo depois desta vida, mas posso lhe dar um conselho: Viva como se não o houvesse, como se esta fosse sua única oportunidade de aproveitar, de amar, de existir. Assim, se não houver nada, você terá usufruído da oportunidade que lhe dei.

E, se houver, tenha certeza de que não vou perguntar se você foi comportado ou não. Vou perguntar se você gostou, se se divertiu, do que mais gostou, o que aprendeu.

Pare de crer em mim! Crer é supor, adivinhar, imaginar. Eu não quero que você acredite em mim, quero que me sinta em você. Quero que me sinta em você quando beija sua amada, quando agasalha sua filhinha, quando acaricia seu cachorro, quando toma banho de mar.

Pare de louvar-me! Que tipo de Deus ególatra você acredita que eu seja? Aborrece-me que me louvem. Cansa-me que me agradeçam. Você se sente grato? Demonstre-o cuidando de você, da sua saúde, das suas relações, do mundo. Sente-se olhado, surpreendido? Expresse sua alegria! Esse é um jeito de me louvar.

Pare de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que o ensinaram sobre mim! A única certeza é que você está aqui, que está vivo e que este mundo está cheio de maravilhas.

Para que precisa de mais milagres? Para que tantas explicações? Não me procure fora. Não me achará. Procure-me dentro de você. É aí que estou, batendo em você.”

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SOBRE O AUTOR

Todo amor nasce de uma necessidade, e foi por uma necessidade que surgiu o perfil no Instagram @meninajoguese.

O Poeta Selvagem Érico Renato Almeida é Auditor Fiscal da Receita do Estado do Paraná e escreve crônicas poéticas que desconstrói a forma de pensar sobre relacionamentos, além de vídeos para o Youtube e Lives semanais.

O perfil cresce a cada dia com mulheres que encontram seu valor e acrescentam cada vez mais loucura e autoestima em suas vidas.
Portanto, hoje eu tô selvagem e a selvageria já vai começar.

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